Revista Do Linux
 
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Em 10 anos, o Linux deixou de ser apenas um hobby de um estudante de computação da Finlândia para se tornar um modelo de negócios que está revolucionando o setor de informática
<IMG> É lamentável que um grande programador não possa ser mais que um mero usuário de um sistema opera-cional, ainda mais quando deseja aumentar seus conhecimentos ou até mesmo colaborar para aperfeiçoá-lo. Muito pior será se ele não tiver condições de comprá-lo porque seu preço é proibitivo, pois, sem alternativas, estará confinado ao mundo das utopias. Justamente dessa frustração, típica de um hacker que aspira ser um profundo conhecedor de sistemas, é que nasceu o projeto Linux.
<IMG> Esse desejo utópico de liberdade terminou vingando, cresceu e cooptou até mesmo usuários comuns e grandes empresas ao longo dos últimos dez anos, que aderiram à causa do código aberto porque entenderam o quanto a informação tornada um bem público, disponível para todos e em qualquer parte, pode ser afetada pela ideologia da clausura.
<IMG> O crescimento avassalador do Linux nestes anos acabou metamor-foseando esse projeto em um movimento social muito mais amplo, que tomou a mídia de assalto com dois no-vos conceitos imediatamente incorporados à história da informática: código aberto e software livre. Um terceiro conceito, bem mais recente, o modelo comercial baseado em produtos abertos, abalou definitivamente a organização do mercado, até bem pouco circunscrito por um arcaico sistema baseado em licenças.
<IMG> Desestabilizando um monopólio que, como qualquer outro na história, mostra-se autofágico e predador, a balança pendeu para o lado do Linux quando os grandes fabricantes de hardware assumiram que ele seria um novo padrão industrial, aberto e independente. Fechou-se assim um ciclo que mostra que a força do desejo de um jovem, que ecoou no coração de milhões de pessoas, falava de uma verdade que é absoluta e que nenhuma força poderia detê-lo.
<IMG> O dia em que Linus Torvalds publicou no newsgroup comp.os.minix que estava desenvolvendo como hobby um sistema operacional livre para clones do AT 386, poderia ser apenas mais um na gélida Finlândia. Mas foi nesse dia, 25 de agosto de 1991, que o Linux começou a conquistar o mundo, com a ajuda da Inter-net e de milhares de pessoas dispostas a auxiliar Linus em sua tarefa. Alguns dias depois, o sistema opera-cio-nal entrou no site FTP como versão 0.01. “Isso diz a todos que ele ainda não está pronto para coisa alguma “, sentenciou Linus Torvalds em seu livro Só Por Prazer, publicado recentemente, no qual descreve os bastidores da criação do Linux.
<IMG> Nos seus primórdios, o Linux mal podia ser chamado de sistema operacional. O que realmente existia eram alguns drivers de dispositivos e um suporte rudimentar a discos rígidos. Linhas de código embrionários rodavam contornando o MS-DOS do 386 de Torvalds, mas precisavam do mesmo MS-DOS para as demais funções, incluindo a inicialização da máquina. O objetivo primordial de Linus era fazer um sistema mais estável e modular que o DOS, que pudesse ser melhorado por qualquer um, independente de um fornecedor comercial.
<IMG> Helsinque, 5 de outubro de 1991. Dia do anúncio oficial no comp.os.minix. Linus Torvalds informa que o Linux já roda o interpretador de linha de comando bash, o compilador de linguagem C gcc, o utilitário para montagem de programas gnu-make, a linguagem gnu-sed e utilitários de compactação de arquivos. Vinte dias depois, numa versão considerada usável, o Linux evolui de pet project (projeto de estimação) para um sistema opera-cional voltado às necessidades acadêmicas.
<IMG> O dia 5 de janeiro de 1992 marca o lançamento do Kernel v0.12, e Torvalds autoriza o uso comercial do Linux. Era um embrião de licença livre, mas ainda muito restritiva se comparada à GPL.
<IMG> Se Linus Torvalds é o pai do Linux, sua mãe é a Internet. Sem ela, o sistema operacional de brinquedo de Torvalds nunca teria saído do ambiente acadêmico.
Pacotes de aplicativos
<IMG> A partir do final de 1992 começou a surgir o conceito de distribuição Linux: um “pacotão” contendo o ker-nel e aplicativos diversos que formariam o “kit” de instalação e utilização do pingüim, a essa altura uma forma de vida já bem evoluída e com ca-rac-terísticas próprias.
<IMG> Uma distribuição Linux dessa época era um monstrengo baixado da In-ternet e gravado em dezenas de dis-quetes. As distribuições eram nor-malmente preparadas por estudantes e entusiastas e não tinham ne-nhum compromisso com padrões ou parâ-metros.
<IMG> Para nos localizarmos melhor no panorama da época, vamos observar outros sistemas que conviviam com o Linux e já estavam presentes no mercado, ganhando o usuário de computador. Em 1992, a Microsoft lançava o Windows 3.1, verdadeiramente um marco na popularização dos computadores pessoais para o público em geral. Com uma interface bem melhor que a das versões anteriores, o Win-dows firmou-se como alternativa mais barata de interface amigável com o usuário, em oposição aos caríssimos Macintosh, principalmente aqui no Brasil.
<IMG> Na área de redes locais, a Novell, com seu Netware 3.11, era líder absoluta. A Microsoft possuía seu Lan Manager, que em conjunto com o Windows 3.1 e o MS-DOS 5, era uma tentativa de penetrar nesse mercado. Havia ainda as tradicionais e caras redes impulsionadas por dispendiosos servidores RISC e seus Unix proprietários. Grandes redes corporativas eram um sonho de alto custo...
<IMG> O Linux já possuía serviços de rede herdados de seus irmãos Unix maiores, mas ainda não estava maduro o suficiente para competir nessa briga de cachorro grande. Entretanto, muitas pessoas de bom senso já o utilizavam para servir e gerenciar pequenas redes em diversas situações.
<IMG> Foi nesse meio ambiente que apareceu a SLS Linux (Safe Landing System Linux, numa alusão ao conhecido parâmetro da geometria dos discos rígidos). Apesar de distribuída em jogos de disquetes, era bem organizada. Construída por Peter MacDonald, baseava-se no estilo BSD de sistemas de arquivos e foi o embrião de uma das mais aclamadas e respeitadas distribuições de hoje: o Slackware Linux.
 
Início da profissionalização
<IMG> Entramos no ano de 1993 e uma outra distribuição - a Yggdrasil - firma-se como “a rainha da cocada branca”. Foi ela que pavimentou o caminho para o mercado de distribuições Linux em CD-ROM e determinou praticamente todos os padrões, seguidos sem contestação por todas as outras distribuições.
<IMG> Desde 1995 a Yggdrasil não lança uma nova versão de seu Linux. Mas a empresa ainda existe, e vende um DVD com o conteúdo completo do Metalab e da Free Software Foundation, além de livros e outros recursos.
<IMG> No rastro da SLS e da Yggdrasil vieram diversas distribuições como InfoMagic, Craftworks, DOSLINUX e outras tantas que hoje estão relegadas ao esquecimento.
<IMG> Duas distribuições, entretanto, resistiram e evoluíram para formas mais modernas. A Slackware e a Red Hat consolidaram a fase profissional do Linux e praticamente deram origem a todas as outras novas distribuições.
<IMG> Em 1993, a Microsoft lança o Windows NT, versão totalmente reescrita do Windows, independente do MS-DOS e que incorporava serviços de rede melhorados do Lan Manager. A partir daí, a Microsoft começou a ganhar credibilidade e espaço no mercado de redes, e nomes como Novell, Sun e IBM ainda dividiam com ela os territórios nesse mundo hostil sempre em transformação.
<IMG> Ao mesmo tempo, um estudante da Universidade Estadual de Moor-head, no Minnesota, EUA, inicia um pro-jeto a pedido de seu professor para automatizar e corrigir bugs no processo de instalação da distribuição SLS. Esse estudante chamava-se Patrick Volker-ding, na época com 25 anos, e um trabalho que ele começou por acaso seria mais tarde uma das mais impor-tantes distribuições do Linux: o Slackware.
<IMG> A versão 1.0 do Slackware era baseada no Kernel 0.99.14, e recebeu rasgados elogios de quem teve a sorte de fazer o download naquele agosto de 1993.
<IMG> Enquanto isso, em outra parte dos Estados Unidos, Ian Murdock silenciosamente arquitetava um plano para tornar o Linux sempre independente de qualquer grupo capitalista. Fundado oficialmente em 16 de agosto de 1993, o Projeto Debian propunha-se a fazer uma distribuição que fosse comprometida com o movimento do soft-ware livre. Nenhuma outra distribuição até hoje conseguiu o que a Debian conseguiu: ser uma distribuição livre de programas comerciais. Esse esforço chamou a atenção até da Free Software Foundation, que chegou a patrocinar o projeto De-bian entre 1994 e 1995. Ca-be ressaltar que nesse mesmo período a Ygg-dra-sil financiava a FSF... A Debian atualmente é a única distribuição entre as grandes que não é mantida por nenhuma empresa.
<IMG> Em 16 de abril de 1994 o kernel chega à versão 1.0. Como o próprio número sugere, estava pronto! Quatro meses mais tarde, a Red Hat lançaria o primeiro beta de sua distribuição, transformando-se em release oficial no dia 3 de novembro. O lançamento do Red Hat Linux pode ser considerado como um dos mais importantes marcos na história desse valoroso sistema operacional. Do Red Hat saiu a maioria das distribuições modernas, como a Mandrake, a Caldera (lançada também em 1994) e a Turbo Linux. A Red Hat lançou, na época, o conceito moderno de distribuição, que usamos até hoje: um sistema GNU/Linux em CD-ROM, com milhares de programas livres prontos para uso (que iam de aplicações de escritório a servidores ultra-específicos) e manuais de instalação e utilização. Tudo acondicionado em uma caixa com visual agradável, a la Windows.
<IMG> Em 1994 o Linux torna-se uma alternativa bem aceita para pequenas redes. Entretanto, ainda não era visto como competidor expressivo em outra área que não fosse a dos pequenos servidores departamentais. Nessa época, nenhum diretor de informática ou gerente de CPD iria considerar a utilização do Linux em aplicações sérias. O Linux, segundo a mentalidade da época, era coisa para hackers e as pessoas direitas deveriam ficar longe dele.
<IMG> O panorama dessa época era o seguinte: servidor de redes locais para qualquer aplicação tinha nome, era Novell Netware ou Windows NT. O que saísse disso (apesar de muitas boas opções como Invisible LAN, Banyan-Vines e Lantastic) era considerado perda de tempo e dinheiro. Um contra-senso, pois o Linux era gratuito...
<IMG> Nosso pingüim ainda tinha um longo caminho a seguir.
 
Ameaças
<IMG> Estamos em 1995. Pela primeira vez, as grandes corporações produtoras de servidores de rede (Novell, Microsoft e as produtoras de outros sabores de Unix como IBM, Sun e HP) começaram a prestar atenção ao pequeno produto que saiu das universidades e estava sendo forjado nas empresas que acreditaram na proposta. Ainda não com o respeito que têm hoje, mas já o colocando na lista de ameaças.
<IMG> No ano de 1995, o Windows NT já havia batido a Novell e qualquer sistema Unix, em termos de base instalada no segmento redes de computadores. Nessa época, grandes redes corporativas já eram consideradas tecnologia banal e uma grande indústria havia sido montada em torno desse mercado. Em agosto desse mes-mo ano, a Microsoft lançou o Windows 95, cuja interface gráfica mais intuitiva que a do Windows 3.x fez a computação pessoal alcançar praticamente todos os lares dos Estados Unidos.
<IMG> Considerado como solução viável por uma parcela já não tão pequena de administradores de rede, o Linux se estabeleceu como opção para redes de qualquer tamanho. O desenvolvimento das interfaces gráficas, apesar de incipiente, já permitia vislumbrar um futuro do Linux como sistema opera-cional para leigos em in-for-máti-ca. É dessa época a per-gunta que não quer calar: “o Linux está pron-to para o desktop”?
<IMG> Nesse período, vemos a evolução das três distribuições “patriarcas”, Red Hat, Slackware e Debian. A SuSE, empresa alemã fundada em 1992, lançou sua própria distribuição em 1994. Baseada no SLS, mas usando o sistema de empacotamento RPM, é até hoje a distribuição mais híbrida entre as grandes. Nesse mesmo ano, a Caldera e a Turbo Linux começam suas atividades.
 
Distribuições
ao redor do mundo
<IMG> Voltando à época contemporânea, no período de quatro anos entre 1995 e 1999, o Linux se desenvolveu e começou (novamente) a se sobressair.
<IMG> Nesse período, um mar de distribuições surgiu. São dessa época, por exemplo, Mandrake, Conectiva, Stam-pede, PingOO... Grandes empresas, antes concorrentes do Linux, agora apostam nele. Exemplos: a IBM financia pesadamente o Linux, e há rumores (não confirmados) de que alguma das próximas versões do AIX venha com um Kernel melhorado do Linux. A SGI, que produz o IRIX, também tem sua própria distribuição de Linux e, provavelmente, os dois produtos serão unidos em breve. A Caldera simplesmente incorporou (em linguagem leiga: comprou) a Santa Cruz Ope-rations, produtora de um dos Unix mais antigos e respeitados do mundo, o SCO Unix.
<IMG> Estamos no ano de 1999, e a pergunta finalmente foi respondida. Sim, o Linux está pronto para o Desktop! Depois de um longo período de evolução, chegamos às portas do ano 2000 com interfaces verdadeiramente amigáveis. O usuário não-técnico pode, en-fim, usar um sistema sem precisar dese-mbolsar mais de mil reais em software. Sem pirataria! O mercado de redes está mais que consolidado para o Linux. O pingüim tam-bém é seriamente utilizado em aplicações de missão crítica como geo-pro-ces-samen-to, simulações espaciais e nucleares, ani-mações gráficas para filmes (o exemplo mais famoso é o do filme Titanic de James Cameron). A NASA, por exemplo, usa Linux.
<IMG> Mercados antes impensáveis começam a desenvolver suas próprias distribuições e soluções. O continente africano, por exemplo, é quase todo movido a Linux. Se falta dinheiro até para comida, ninguém vai comprar uma licença do Windows NT, não é mesmo? Na Índia, esforços estão sendo feitos para que o Linux suporte as dezoito línguas oficiais daquele país. A China possui sua própria distribuição, a Red Flag Linux, que, por sinal, suporta os dialetos cantonês e mandarim, além do português (por causa de Macau). Algumas grandes distros também têm suporte a chinês.
<IMG> A América Latina, quando se trata de Linux, é exportadora de talentos e tecnologia e não o contrário, como em outras áreas em que compramos dos americanos, europeus ou asiáticos. O Gnome, por exemplo, é uma iniciativa de Miguel de Icaza, um mexicano. Pipocam distribuições aqui e ali. Há notícias de distribuições comerciais e acadêmicas na Argentina e no Chile, sem contar as distribuições brasileiras Conectiva, Console e TechLinux.
<IMG> Nesse período, também se intensificaram os esforços para documentação, localização e internacio-naliza-ção do GNU/Linux e seus programas. As publicações de informática em todo o mundo começaram a dar o devido espaço e crédito ao sistema, e surgiram as grandes publicações voltadas exclusivamente para Linux. Podemos citar o Linux Journal nos Estados Unidos, a Linux Magazine na Europa, a LX-Format na Espanha e a sua Revista do Linux.
 
O futuro...
<IMG> Imagine que você quer lançar um computador no mercado. Para fazê-lo funcionar, você precisa de um sistema operacional. Agora eu pergunto: por que tornar seu produto mais caro só porque ele depende de sistemas operacio-nais proprietários? Muitos fabricantes pensaram nisso e estão produzindo suas geladeiras, televisores e DVD-Players com Linux embarcado. E o resultado tem sido promissor.
<IMG> Quando se fala em portáteis, logo vêm à cabeça os computadores chamados palmtops ou handhelds: pequenas maravilhas que cabem na palma da mão e têm tudo o que é preciso para ler emails, navegar na Internet, escrever textos, montar planilhas, jogar, ouvir MP3... Existem handhelds com outros sistemas operacio-nais que chegam a custar US$ 1.800,00. Bem, a Agenda VR com Linux custa US$ 139,00. Que tal?
<IMG> E para finalizar este artigo o cronista número um do Linux desde tempos remotos: Lars Wirzenius:
<IMG> “Cada vez que olhamos para a história do Linux, terminamos com os olhos voltados para o futuro. Desta vez não foi diferente”.
<IMG> O kernel do sistema operacio-nal Linux me parece relativamente acabado. Claro, há muito trabalho a fazer, bugs para caçar e “dede-tizar”, drivers para desenvolver, arquiteturas para portar, mas isso é café pequeno. Nada parecido com as gigantescas mudanças do passado, como paginação por demanda, toda a parte de redes, ou o porte para a arquitetura Alpha.
 
Faça e Divulgue
<IMG> Vários projetos de sistemas abertos continuam a existir, mas somente o Linux conseguiu viabilizar-se comercialmente e se tornar um concorrente de mercado apto a enfrentar o monopólio das grandes corporações americanas. Além disso, só ele recebeu a adesão expressiva de todos os grandes fabricantes de hardware, de uma grande massa de usuários dispersos em muitos países e da mídia internacional. Para explicar esse fenômeno muito poderia ser dito, mas certamente a ênfase empregada no método de trabalho desse projeto desde o início, o “faça e divulgue”, foi o fator determinante de sua longevidade e replicação. Essa ênfase impregnou o projeto de tal maneira que uma mensagem sublimi-nar com um apelo irresis-tível passou a reproduzir-se autonomamente: copie-me, copie-me, copie-me...
 
O dia em que o Linux nasceu ?
<IMG> O ano de 2001 representa um marco histórico para o sistema ope-racional Linux. Dez anos atrás, no dia 3 de julho de 1991, Linux Torvalds comunicava oficialmente à comunidade de desen-vol-vedores do newsgroup comp.os.minix que estava trabalhando em um projeto em minix. Naquela ocasião, Linus buscava a indicação de um documento das regras posix mais recentes. O que não significa, necessariamente, que o Linux nasceu naquele dia. Há uma outra data, 25 de agosto de 1991, em que Linus divulga no mesmo news-group, que está fazendo um sistema opera-cional propriamente dito. E o mais importante de tudo: livre. Assim ficou mais explícito para o público a intenção dele em tornar sua obra disponível para todos que estivessem interessados. “Algumas pessoas até se ofereceram para fazer os beta-testes”, disse Linus no seu livro mais recente, “Só por Prazer”. Linus lembra-se da data exata da disponibili-zação da versão 0.01 do sistema operacional que dez anos mais tarde tornaria o Linux (17 de setembro de 1991). Portanto, deixamos a interpretação da data de aniversário do Linux para os leitores. Bom é que assim podemos comemorar três vezes.
 
Linha do Tempo
Acompanhe os fatos mais marcantes de uma década com o Linux
1991
O estudante de Ciência da Computação da Universidade de Helsinque, Linus Torvalds, começa a desenvolver um SO que mais tarde seria chamado de Linux.
1992
Surgem as primeiras distribuições, como a SLS (Safe Landing System Linux). A SuSE é fundada. Criação da linguagem Java. Lançamento do Windows 3.1.
1993
Saem os primeiros CD’s com o Linux (Yggdrasil). Lançados o projeto Debian e a distro Slackware. Lançamento do Windows NT.
1994
A versão beta do RedHat e o kernel 1.0 são lançados. Caldera e Open Linux iniciam suas atividades.
1995
Fundação da Conectiva, a primeira distribuição Linux brasileira. Neste ano, é lançado o Windows 95.
1996
O projeto KDE é fundado.
1997
Linus Torvalds começa a trabalhar na Transmeta, no Vale do Silício, onde está até hoje. O projeto Gnome é criado por Miguel de Icaza. Bruce Perens anuncia o desenvolvimento do apt-get 1.1.
1998
A Netscape abre o código-fonte do seu browser. Alan Cox começa a trabalhar na RedHat. Linus é capa da revista Forbes. Lançado o Windows 98.
1999
É lançado o Samba 2.0. A Dell comercializa os primeiros computadores com Linux pré-instalado. Jon Maddog Hall é contratado pela VA Linux Systems.
2000
A Conectiva recebe investimentos da Intel, Latintech e ABN Amro Bank. A ABES dá a primeira “batida” geral contra a pirataria, impulsionando o Linux no Brasil.
2001
Lançamento do Kernel 2.4. A IBM anuncia que investirá US$ 1 bilhão em Linux.
 
História do Tux
<IMG> O simpático pingüim que se tornou ícone do Linux foi criado por Larry Ewing em meados de 1996, depois de um concurso de logotipos para o sistema operacional. A simpática criaturinha criada por Ewing venceu quase por aclamação de toda a comunidade. A idéia do pingüim foi casualmente sugerida pelo próprio Linus Torvalds, depois de mencionar publicamente que os achava engraçadinhos. Quando o concurso estava em andamento, Linus havia sugerido que o pingüim deveria ser gordinho e com um ar de satisfação depois de empanturrar-se com peixes. Para Linus, um pingüim como logotipo daria mais liberdade às pessoas que quisessem usar materiais relacionados ao sistema operacional. Outra razão que Linus salientou é que, usando algo parecido com o pingüim dá às pessoas a oportunidade de fazer modificações. Exatamente como acontece hoje, quando encontramos diferentes variantes do pingüim em boxes das distribuições espalhadas por todo o mundo. O nome “Tux” é uma variante de “tuxedo”, mais conhecido entre nós como “smoking”. E, para quem não sabe, há um Tux, em carne e osso, no Zoológico de Bristol, na Inglaterra.
 
Fórum do leitor
<IMG> No fórum do site da Revista do Linux os leitores podem opinar e discutir aspectos levantados nas principais matérias e artigos da RdL. Esse serviço permite uma interatividade e participação maior de toda a comunidade Open Source. A pergunta que fazemos é: “Como você imagina o Linux daqui a dez anos ?”.
www.RevistadoLinux.com.br/forum
 
Para saber mais
The Linux Distribution HOWTO
Eric S. Raymond <esr@thyrsus.com>
www.linuxdoc.org/HOWTO/Distribution-HOWTO.html
 
Página de Lars Wirzenius
liw.iki.fi/liw/texts/linux-anecdotes.html
Histórias dos tenros anos do Linux
 
Time Line
www.lwn.net/2000/features/Timeline/
 
A partir do final de 1992 começou a surgir o conceito de distribuição Linux: um “pacotão” contendo o kernel e aplicativos diversos que formariam o “kit” de instalação e utilização do pingüim
 
Em 1993 a Yggdrasil pavimentou o caminho para o mercado de distribuições Linux em CD-ROM e determinou praticamente todos os padrões, seguidos sem contestação por todas as outras distribuições.
 
Por que tornar seu produto mais caro só porque ele depende de sistemas operacionais proprietários? Muitos fabricantes pensaram nisso e estão produzindo suas geladeiras, televisores e DVD-Players com Linux embarcado
 
 

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